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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006
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1:28 AM
*Não gosto de rotina nem de promessas, mas este ano vou tentar mudar isso também. Pretendo postar toda quarta-feira. Textos sobre tudo. Cotidiano. bobagens, limões. Sobre o que observo e sinto. Tá, desses últimos um pouco menos.
Enfim, mais uma decisão tomada. Isso é bom.*
Joões e Limões
Deveria escrever sobre o João, estudante, aprovado no vestibular ou sobre o João, pequena pessoa que tenta atabalhoadamente nos entreter com limões desgastados? Que mais lhe interessa? Quem mais lhe interessa? Pois lhe digo, com a sinceridade de um quase jornalista: não conheço João e tampouco João. Pus-me a pensar sobre a coincidência - ou sobre qualquer outra palavra que você atribua a coisas que acontecem sempre, mas só às vezes são vistas - quando, no semáforo vermelho, o João aproximou-se. Fez até reverência, antes de começar a patética exibição. Três limões era demais. Jogava um mais alto que o outro, sem coordenação alguma. Não demorou muito e um caiu junto à calçada. Rolou mais um pouco, perdeu mais do verde característico ao esfregar-se no meio-fio. Enquanto abaixava para pegá-lo, olhou-me com olhos decaídos e inseguros, tal qual criança quando quebra o vaso chinês que uma parente distante da família trouxe de lembrança da Europa. O semáforo demora a abrir neste cruzamento. Mais uma tentativa. Agora sim. Após juntar o que escapuliu, recomeçou a atirar os limões ao alto, como se nunca mais fossem voltar. Aí estava o erro. Inconsciente, porém. Jogava muito forte, talvez com a esperança de que eles nunca, jamais retornassem à suas mãos. Se assim fosse, aí sim seria merecedor de algum dinheiro. Sinal aberto, quase sem tempo para dizer que não tinha trocados. Só fiz que não com a cabeça. A moça ao lado não viu, ou fingiu não ver, as peripécias do moleque. Mesmo assim retirou uma moeda do console do carro prateado. João não agradeceu e guardou os limões nos bolsos da opaca bermuda. Um no buraco da esquerda, o que tinha lhe caído das mãos - castigo? - os outros no bolso esquerdo. Duzentos metros adiante, outro semáforo. Fechado. João, o estudante recém-aprovado no vestibular, aproxima-se. Vestia colete característico, de cor indefinida devido à lama que lhe cobria o corpo. Tinta azul na cara, descalço, assim como João. Metade de seu cabelo raspado e tinta preta nas orelhas. Aproximou-se um pouco mais, de maneira que não pude ignorá-lo. Não disse nada, quebrei o silêncio. "Parabéns, mas não tenho nada". Eram visíveis sua alegria e sinceridade. "Porra, muito obrigado. Valeu mesmo." Foi-se antes do verde chegar - o sinal, não o limão. Queria passar no mesmo lugar amanhã e ver papéis invertidos: o João tentando com os limões e o João com... bem, com a tinta azul na cara e a preta nos ouvidos. Eu só não diria parabéns ao João porque antes ele me perguntaria sobre algum trocado que estivesse por ali, perdido por entre os chicletes.
Nada Surf - Happy Kid.mp3
Do the magic...
Sábado, Janeiro 07, 2006
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4:08 PM
Level Up
E agora vai ser tudo assim. Tudo mais lento e calmo, um alento que chega, enfim. Textos por aqui uma vez por semana, nada específico. Cerveja todo dia, e quase sempre só em minha companhia. Pois se o papel e a bebida são os melhores confidentes de um homem, o cachorro continua sendo o seu melhor amigo.
Ben Kweller - Wasted and Ready.mp3
Do the magic...
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